
domingo, 24 de maio de 2009
Cantanhede Ladies Open
Maria João Koehler conquistou hoje (Domingo) o seu primeiro título internacional de singulares no Cantanhede Ladies Open, o torneio internacional feminino, de 10 mil dólares em prémios monetários (7.400 euros), organizado pelo Clube Escola de Ténis de Cantanhede, com o alto patrocínio da Câmara Municipal de Cantanhede.
A campeã nacional de juniores derrotou a russa Nanuli Pipiya por 6-4, 2-6 e 6-1, numa final bem disputada, que se prolongou por uma hora e 53 minutos, diante de largas centenas de espectadores que sobrelotaram as bancadas do novo court central, inaugurado este ano.
“É um momento especial porque é o meu primeiro título, nunca irei esquecê-lo”, disse Maria João Koehler ao público, durante a cerimónia de entrega de prémios, depois de receber o cheque de 1.113 dólares (cerca de 795 euros) das mãos do director de torneio, Arnaldo Carvalho, e o bonito troféu de cristal entregue pelo vereador de Desporto da Câmara Municipal de Cantanhede, José Pinheiro.
“O momento mais importante da final foi o primeiro jogo do terceiro set porque estive a perder por 0-30 e se ela tivesse ganho ali vantagem iria de certeza motivar-se muito”, reconheceu a portuense de 16 anos, que não se esqueceu de agradecer a presença nas bancadas dos seus treinadores, Nuno Marques e Miguel Beaumont.
“A Maria João já tinha chegado à final de Montemor-o-Novo com 15 anos, pelo que, para nós, que trabalhamos diariamente com ela, não pode ser considerado uma surpresa ter ganho o seu primeiro título internacional aos 16. É certo que temos a sorte de ter em Portugal um prodígio como a Michelle Brito, mas nós vimos desde sempre este enorme potencial na Maria João. Ela trabalha há quatro anos connosco no Clube de Ténis do Porto e creio que, embora muito importante, esta vitória é apenas uma etapa ultrapassada num percurso que se pretende”, comentou Nuno Marques.
Miguel Beaumont (que também tinha estado com Leonardo Tavares na vitória de “Leo” no Future de Albufeira, em Março), frisou “a força mental manifestada pela Maria João numa final nada fácil, em que ela foi posta à prova pela adversária. Fisicamente este sempre bem, mas foi no aspecto mental que mostrou ser uma jogadora a sério”.
Maria João Koehler já defendeu os 14 pontos WTA que somou nesta série de torneios portugueses de 10 mil dólares em 2008. Com o sucesso de hoje já garantiu 16 pontos em 15 dias, o que significa que tudo o que arrecadar nos próximos torneios será para melhorar a sua actual 598ª classificação no ranking mundial.
Nanuli Pipiya, de 17 anos, estava pela primeira vez na final de uma competição deste nível, mas revelou um ténis muito agressivo, bem adaptado à rapidez dos courts de relva sintética do Clube Escola de Ténis de Cantanhede, mas foi incapaz de conter as lágrimas depois de ter perdido o match-point.
Em jeito de balanço, o director do torneio e presidente do clube, Arnaldo Carvalho, disse que “foi uma primeira edição internacional extremamente positiva. O público esteve de parabéns, pois encheu todos os dias a bancada, justificando o investimento nas infra-estruturas. O clube fez uma aposta séria no ténis português, ao atribuir todos os convites a tenistas nacionais e tínhamos a esperança de que pudesse haver uma portuguesa a ganhar. Não poderia ter sido melhor do que uma vitória da Maria João, porque foi ela também a campeã no ano passado, quando o torneio se despediu do seu cariz meramente nacional. Ela é, pois, a madrinha da transição de um torneio da Federação Portuguesa de Ténis para um evento da Federação Internacional de Ténis. Espero também que este sucesso mostre às marcas da região que vale a pena apostar no torneio como forma de divulgação dos seus produtos e da terra”.
Uma coisa é certa, se depender do Município, o Cantanhede Ladies Open irá conhecer uma segunda edição em 2010, como sublinhou o vereador do Desporto, José Pinheiro: “É uma aposta para continuar. O investimento no novo campo e na nova bancada provou ser um bom investimento. A localização do parque desportivo no centro da cidade e perto de escolas trouxe muita gente ao torneio e foi uma boa acção de promoção da modalidade. Toda a área envolvente do clube tem vindo a ser requalificada e será uma zona nobre de Cantanhede”.
Uma segunda edição que poderá voltar a contar com Maria João Koehler que prometeu “voltar para o ano para defender o título se não estiver em Roland Garros”.
Cantanhede Ladies Open # 24 de Maio
Nas meias-finais de ontem (sábado), Maria João Koehler derrotou a espanhola Maria Teresa Torro-Flor por 6-4 e 7-5, em uma hora e 40 minutos, num encontro em que só se viu em dificuldades quando serviu no segundo set a perder por 0-3.
Nanuli Pipiya, a “tomba-gigantes” deste Cantanhede Ladies Open depois de ter eliminado duas cabeças-de-série no seu trajecto para as meias-finais, eliminou a portuguesa Joana Pangaio por 6-0 e 6-2 em 55 minutos, na segunda meia-final.
Maria João Koehler, de 16 anos, está pela segunda vez na final de um torneio a contar para o ranking mundial do WTA Tour, depois de ter perdido, no ano passado, na final do torneio de Montemor-o-Novo. Dos 14 pontos WTA que a jogadora do CT Porto somou nesta série de torneios portugueses de 10 mil dólares em 2008, já defendeu 12 (quartos-de-final na semana passada e final esta semana). Se ganhar a final de Cantanhede terá angariado 16 pontos em 15 dias.
Nanuli Pipiya, de 17 anos, está pela primeira vez na final de uma competição deste nível e o treinador espanhol Pablo Garcia, que a acompanha em Cantanhede, ao serviço da Academia Equelite do ex-nº1 mundial Juan Carlos Ferrero, diz que tem potencial “para no final da época estar no top-450 mundial”.
“Espero ganhar a final”, disse Maria João Koehler, que considera ter “evoluído desde o ano passado na final de Montemor-o-Novo”: “Na altura foi uma surpresa, nem estava classificada no ranking mundial. Aqui já sou a quarta cabeça-de-série”. Sobre a sua sólida exibição na meia-final, a campeã nacional de juniores acentuou “a qualidade do serviço e a capacidade de concentração nos momentos em que estava por baixo”.
Quanto a Joana Pangaio, admitiu estar “um pouco mais presa de movimentos”, provavelmente devido às três horas e meia que precisou na véspera para bater Ana Claro nos quartos-de-final, mas a rapidez do encontro nem lhe permitiu ficar cansada: “Fiz um bom torneio, apesar de ter pena de ter perdido nas meias-finais, mas a Pipiya jogou muito bem, com um ritmo muito elevado. Mesmo quando eu subi de nível e cheguei a liderar o segundo set por 2-0, ela foi capaz de também elevar o seu próprio nível”.
Pablo Garcia explica que “se a Pipiya jogasse sempre assim não estaria fora do top-800 mundial. O que se passa é que ela só veio para a nossa academia em Janeiro e tem de regressar muitas vezes à Rússia para renovar o visto, ficando semanas seguidas sem treinar. Perde muita consistência de jogo, mas não há dúvida que bate forte na bola e neste piso de relva sintética isso ainda é mais notório”.
A final de pares, que estava agendada para as 15 horas de ontem, não se realizou por desistência da britânica Danielle Brown, com uma lesão nas costelas, depois de aparatosa queda na passada quarta-feira. Danielle Brown e Elizabeth Thomas entregaram, assim, o título às russas Alla Aleksandrova e Inna Sokolova, jogadoras treinadas em Sassoeiros (concelho de Oeiras) pelos técnicos portugueses Paulo Lucas e André Lopes.








